Depressão Pós Parto: Um pesadelo materno!

d001
Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest

A gestação e o pós-parto são períodos de muitas adaptações na vida da mulher, pois ocorrem inúmeras mudanças em seu corpo, alterando seu metabolismo e a produção de hormônios.

 

É também um momento de reformulação do papel social e de alteração da sua psique feminina, afinal marca uma importante etapa da vida. Consiste na criação de um novo ser, que se desenvolve durante nove meses, esperado geralmente com muita ansiedade. Além disso, há a construção social de um ideal de ser mãe, o qual muitas gestantes esperam atingir. Tudo isso faz com que se elevem os riscos de desenvolver alterações psicológicas nesse período.

 

Neste processo de gestação, parto e chegada do bebê, algumas mulheres podem ser atingidas pela depressão pós-parto. É sabido que cerca de 7 a 16% das mulheres adultas e até 26% das adolescentes, sofrem de depressão pós-parto.

Dentre os distúrbios de humor que acomete as mulheres após o parto, podemos considerar que há três níveis de depressão, sendo:

 

-Baby blues ou Blues puerperal, considerado o grau mais leve e de condição benigna, conhecido também como tristeza pós parto ou melancolia da maternidade. Inicia-se nos primeiros dias após o parto (dois a cinco dias), dura entre alguns dias e poucas semanas, é de intensidade leve e em geral não requer uso de medicações, pois é autolimitada e cede espontaneamente. Caracteriza-se basicamente pelo sentimento de tristeza e o choro fácil que não impedem a realização das tarefas da mãe.

 

Depressão puerperal, é o quadro depressivo de nível moderado. Clinicamente, atinge de 10 a 15% das mulheres em estágio puerperal. A depressão é uma síndrome em que o funcionamento comportamental, emocional, físico e cognitivo interfere na qualidade de vida da mulher. Durante a gestação, há a liberação em larga escala de hormônios como o estrogênio e a progesterona, que atuam na manutenção do feto e podem interferir na emissão de neurotransmissores. Depois do nascimento, os níveis hormonais despencam, fazendo com que haja um desequilíbrio no organismo. Essa condição pode causar o descontrole emocional e a sensação de melancolia.

 

Mulheres com depressão pós-parto, geralmente desenvolvem os sintomas dentro das primeiras semanas após o parto, mas podem começar mais tarde, até seis meses após o nascimento. Podendo apresentar outros sintomas como falta de interesse sexual, perda ou ganho de peso excessivo, sentimento de incompetência e de medo de não ser uma boa mãe, baixa autoestima, isolamento social, choro excessivo, afastamento da família e amigos, intensa irritabilidade e raiva, dificuldade para dormir (insônia) ou dormir demais (hipersônia) e dificuldade de desenvolver uma ligação amorosa com o bebê.

 

-Por fim, temos a psicose puerperal, condição que atinge com severa gravidade em mais de 90% dos casos diagnosticados devidamente. A psicose puerperal pode apresentar transtornos cognitivos, hiperatividade, desânimo persistente, sentimentos de culpa, alterações do sono, ideias suicidas, temor de machucar o filho, redução do apetite e da libido, diminuição do nível de funcionamento mental e presença de ideias obsessivas. Mulheres com diagnóstico de psicose puerperal carecem de cuidados imediatos, uma vez que a ausência de tratamento pode colocar a mãe e o bebê em risco.

 

Considerando os níveis de depressão puerperal e psicose puerperal, é recomendado tratamento específico e direcionado, com introdução de medicamentos e psicoterapia. Por esta razão, a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) tem apresentado grande eficácia no tratamento da depressão pós-parto.

 

Atualmente uma das abordagens mais empregadas no tratamento da depressão puerperal é a TCC, que têm como base analisar quais as ideias, pensamentos e emoções que a pessoa tem sobre si mesma e que se encontram distorcidas, ocasionando uma cadeia de reações comportamentais disfuncionais.

 

Um dos principais propósitos da TCC é de que, através deste conhecimento, as mudanças desejadas possam ser obtidas por um método alternativo, capaz de focalizar e priorizar as mudanças cognitivas. Estas técnicas promovem a identificação e o questionamento acerca dos pensamentos automáticos, considerando que as crenças irracionais determinam os sentimentos e comportamentos depressivos.

Neste sentido, a Terapia Cognitivo Comportamental é realizada a partir de uma abordagem ativa, direta e estruturada, com prazo limitado e fundamentada em uma base teórica lógica, através da qual se percebe que o afeto e o comportamento individual encontra-se relacionado ao modo pelo qual este indivíduo estrutura o mundo em que está inserido.

 

É através da terapia que se proporciona uma “porta de entrada” para a organização cognitiva do paciente. Através das técnicas de questionário, é possível identificar o pensamento ilógico, determinando as regras do tratamento conforme cada caso, auxiliando terapeuta e paciente a compreenderam qual a realidade construída por esta paciente.

 

As estratégias utilizadas através da TCC são determinadas de acordo com os comportamentos que se pretende alterar. A psicoterapia é, portanto, um processo que permite transformações profundas da pessoa, com resultados evidentes em diversas situações, aplicados de maneira satisfatória em casos de depressão pós-parto.

 

O papel da atuação do Psicólogo frente à depressão pós-parto é de grande relevância, através da terapia torna-se possível reestruturar as cognições da paciente, ou seja, transformar seus pensamentos acerca da nova situação vivenciada: a maternidade.

 

Se você está vivenciando esta experiência, não hesite em buscar ajuda profissional, agende uma consulta hoje mesmo com um Psicólogo. Saiba que depressão não é frescura, e deve ser tratado o quanto antes.

 

 


Psicóloga Carla Araujo
CRP – 05/58453
www.psicologacarlaaraujo.com.br


 

WhatsApp chat