Transtorno Bipolar: duas faces de um fenômeno

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Imagine que você está dando uma volta emocionante em uma montanha-russa, com uma subida lenta de 62 metros, seguida de uma queda livre de 4 segundos, com velocidade máxima de 120 km/h.

 

Ao fim do percurso, você ainda deve estar com um turbilhão de sentimentos confusos que nem mesmo consegue entender, devido ao sobe e desce e infindáveis curvas provocadas pelo brinquedo.

 

Pois é exatamente o mesmo que ocorre com alguém que sofre de transtorno bipolar, uma doença caracterizada por variações de humor, com fases de depressão e euforia, intercaladas com períodos de normalidade.

 

O diagnóstico envolve a análise dos sintomas, seu tempo de duração e o grau de prejuízo no dia a dia”, explica a Psiquiatra Ângela Scippa, presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB).

 

Identificando o Transtorno Bipolar

 

O Transtorno Bipolar devido a suas características intensas é conhecido por “crise dos extremos”.

 

Pode haver períodos onde o portador do transtorno bipolar passa o dia na cama, não se alimenta, não toma banho.

 

Em outros momentos o bipolar pode se transformar, fica falante, expansivo, se acha onipotente, a autoestima se eleva, pula de um assunto para outro.

 

Nessa fase a pessoa pode se sentir muito entusiasmada, mas normalmente não realiza tarefas cotidianas por falta de concentração.

 

A fase eufórica é conhecida como mania. É a fase onde ocorrem compras compulsivas, por exemplo.

 

Geralmente quem convive com uma pessoa bipolar gosta dos comportamentos apresentados nessa fase, pois ele pode parecer mais interessante no momento de humor eufórico.

 

É fácil de confundir com alegria normal, mas o bipolar pode fazer coisas que jamais faria se estivesse em equilíbrio. O bipolar pode ter comportamentos sexuais que não são da sua natureza e isso pode colocá-lo em risco.

 

O diagnóstico pode ser dificultado quando essa fase eufórica só aparece muito tempo depois do quadro de depressão ter iniciado.

 

E, nesse caso, o portador do transtorno bipolar pode pensar que está melhorando, isso pode dificultar o início da psicoterapia e tratamento para o transtorno bipolar.

 

Alguns deixam de fazer o tratamento nessa fase, o que é um erro, pois o que a pessoa sentiu foi uma exaltação e não significa que a depressão foi embora.

 

 

Como a bioquímica cerebral explica?

 

A causa exata do transtorno bipolar permanece desconhecida. Sabe-se, ao menos, que há fatores genéticos e ambientais envolvidos. “Se um dos pais tiver o distúrbio, o risco de um dos filhos desenvolver a doença é de 20 a 40%”, calcula o Psiquiatra Rodrigo Machado-Vieira, da USP.

 

Estudos sinalizam que os bipolares têm alterações em áreas do cérebro como o córtex pré-frontal, responsável por tomadas de decisão, e nos níveis de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, ligadas à sensação de bem-estar.

 

O uso de substâncias psicoativas, como álcool, anfetamina e cafeína, contribui para a desordem. Mas ela só é desencadeada se houver predisposição para essas comorbidades (quando ocorre mais de um distúrbio ou doença ao mesmo tempo, nesse caso, o alcoolismo e/ou dependência química).

 

E eu, sou bipolar?

 

O transtorno é marcado por alternância de humor, mas o diagnóstico não é simples. Vejamos alguns sintomas na prática:

 

DO FUNDO DO POÇO…

  • Tristeza profunda
  • Baixa autoestima
  • Isolamento
  • Perda de sono
  • Redução da libido
  • Cansaço excessivo
  • Lentidão de movimento
  • Sentimento de culpa

 

…A DONO DO MUNDO

  • Agitação
  • Compulsão ao falar
  • Autoestima elevada
  • Otimismo exagerado
  • Alegria desproporcional
  • Agressividade
  • Pensamento acelerado
  • Dificuldade de concentração

 

Tipos de Transtorno Bipolar

 

  • Transtorno Bipolar Tipo I

Transtorno bipolar tipo I é o que as pessoas tendem a pensar quando se trata de transtorno bipolar. Acontece pela oscilação entre um humor muito eufórico, conhecido como “mania” e um humor muito baixo, chamado “depressão”.

Pessoas com transtorno bipolar do tipo I também costumam ter psicose. Isto é, elas apresentam uma “ruptura com a realidade”, e assim, o transtorno é classificado a partir da presença de delírios e / ou alucinações.

 

  • Transtorno Bipolar Tipo II

Entre os tipos de bipolaridade também encontramos o transtorno bipolar tipo II, composto por dois tipos de humor: depressão maior e hipomania.

Os critérios para o humor depressivo são idênticos aos do transtorno bipolar do tipo I. Porém, a diferença é a hipomania, que segue os mesmos critérios básicos da mania bipolar, mas é menos severa.

 

  • Episódios mistos bipolares

 

Já o transtorno bipolar misto ou não especificado é uma categoria abrangente e caracteriza aqueles que têm o transtorno bipolar, mas que não se encaixam em nenhuma categoria específica.

Por exemplo, para uma pessoa ser considerada com transtorno bipolar I, o episódio maníaco tem que durar pelo menos uma semana. Se o episódio maníaco dura apenas três dias, os médicos afirmam que o paciente tem transtorno bipolar não especificado.

 

Como a psicoterapia pode auxiliar no tratamento de Transtorno Bipolar?

 

A psicoterapia se torna fundamental no trabalho cognitivo, com os pensamentos disfuncionais, tanto da depressão como da euforia. Sempre oferecendo o máximo possível de equilíbrio e bem-estar para quem sofre com esse transtorno.

 

Como o transtorno bipolar é uma doença de extremos, em uma semana a pessoa pode estar na cama, mas na outra semana saindo todas as madrugadas.

 

Nesse sentido, um dos pontos principais do trabalho do psicólogo é no auxílio ao paciente para identificar qual comportamento é consequência da doença, pois ele pode confundir e considerar que está melhorando, principalmente quando está saindo de um momento depressivo e entrando na euforia.

 

É possível que algumas vezes as pessoas próximas não deem importância ao diagnóstico, deixando, assim a pessoa sem atendimento psicológico do transtorno bipolar.

Frequentemente ouvirmos destas pessoas que “eles também têm problemas, mas resolveram sem ir ao psicólogo”. Frases como esta deixam muito claro a falta de informação do que seria uma doença psiquiátrica.

 

Por isso, é fundamental que o cuidador e/ou familiares passem pela psicoterapia. Talvez a família não frequente o consultório todas as semanas (mas o paciente sim).

 

Apesar disso, é muito importante para que eles entendam o que é a doença, como devem lidar com este paciente. Por exemplo, ao que devem ceder, e ao que devem ser firmes e negar.

 

Outra ajuda do psicólogo se faz na aderência ao tratamento medicamentoso. A grande maioria dos bipolares precisam manter a medicação por longos períodos, e sem um trabalho de conscientização pode ficar muito difícil manter a rotina.

 

Os medicamentos contribuem para o regulamento químico do sistema.

A psicoterapia, por sua vez, contribui para o autoconhecimento, a autorregulação e o desenvolvimento de um suporte para uma relação mais saudável e funcional com a vida.

 

Lembre-se de que a primeira coisa que você deve fazer, caso desconfie que você se encaixa em um dos tipos bipolares é procurar ajuda de um profissional. Somente um psicoterapeuta ou psiquiatra poderá te orientar para o tratamento de forma eficaz. O tratamento, normalmente, consiste entre conciliar a psicoterapia com a medicação.

 

Quer saber mais sobre as sessões de psicoterapia e como posso te ajudar? Entre em contato que terei o maior prazer em conversar com você e lhe receber.

 


Psicóloga Carla Araujo
CRP – 05/58453
www.psicologacarlaaraujo.com.br


 

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