Transtorno do Pânico: conceito, causas, diagnóstico e tratamento

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A ansiedade é um estado emocional que faz parte da vida. Encontrar a pessoa por quem se está apaixonado causa ansiedade, bem como a entrevista para um novo emprego.

 

Antes de uma prova, por exemplo, esse estado de ânimo é produtivo, fazendo com que o estudante esteja alerta e preparado para o desafio.

 

Mas se alguém não consegue mais seguir sua rotina por causa do excesso de ansiedade, seja no trabalho, na escola ou na vida social, pode estar sofrendo de um transtorno.

 

O transtorno do pânico (TP) faz parte destes transtornos de ansiedade e é caracterizado pela presença de ataques de pânico recorrentes que consistem em uma sensação de medo ou mal-estar intenso acompanhada de sintomas físicos e mentais e que se iniciam de forma brusca, alcançando intensidade máxima em até 10 minutos.

 

Os pacientes com TP seguem um padrão longo (que pode se estender a até uma década) de visitas às emergências médicas antes do diagnóstico à procura de uma causa orgânica para seus sintomas.

 

Mas quais são esses sintomas?

O transtorno do pânico é caracterizado pela sucessão repentina de crises de pânico. A sensação ruim trazida por esses episódios faz com que a pessoa altere sua rotina, com medo de que o processo possa se repetir.

 

Na prática, isso significa que alguém que teve uma crise enquanto dirigia, deixa de dirigir; se a crise foi crise no metrô, deixa de utilizar esse meio de transporte, por exemplo.

 

As crises impedem que se leve uma vida normal. Há casos em que a pessoa deixa de sair de casa ou não sai mais sozinha.

 

A lógica é a seguinte: passa-se a viver na expectativa de novas crises e busca-se estar em uma situação em que seja possível encontrar ajuda imediata.

 

Durante a crise, que tem seu ápice em 10 minutos, pelo menos quatro dos seguintes sintomas se manifestam:

 

  • Palpitação
  • Taquicardia
  • Suor em excesso
  • Tremor
  • Náusea
  • Tontura
  • Sensação de não conseguir respirar
  • Medo de perder o controle
  • Medo de morrer

 

Causas do Transtorno de Pânico

Diversos fatores vêm sendo atribuídos às causas do TP, sendo que tanto fatores genéticos quanto ambientais parecem contribuir para o desencadeamento.

 

Uma das hipóteses trata dos fatores genéticos, uma vez que 35% dos familiares de primeiro grau de pacientes com transtorno de pânico também desenvolvem o problema.

 

Outra hipótese levantada é de que os portadores têm uma disfunção neurológica do sistema de alerta.

 

Quando passamos por alguma situação que causa medo, nosso sistema de alerta é acionado pelo cérebro. Quem sofre da síndrome pode ter uma disfunção nesse sistema e desencadear uma crise sem uma causa determinante.

 

Estudos prévios também têm associado experiências traumáticas na infância ao desenvolvimento do TP na idade adulta.

 

Eventos estressantes na vida adulta também estão relacionados ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade e ao TP, sendo que cerca de 80% dos pacientes relataram estressores de vida nos 12 meses que precederam o início do transtorno.

 

As bases biológicas, sejam elas genéticas ou neurológicas, e as teorias psicológicas, tanto cognitivo-comportamentais quanto psicodinâmicas estão em constante atualização e evolução conceitual e, ao contrário do que possa se pensar, não são excludentes e sim complementares para buscar possíveis causas do transtorno.

 

Diagnóstico

O transtorno de Pânico está classificado no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV), dentro do grupo dos transtornos de ansiedade, e os critérios definidos pelo DSM-IV são muito semelhantes aos encontrados na Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

 

Uma crise isolada ou uma reação de medo intenso diante de ameaças reais não constituem eventos suficientes para o diagnóstico da doença.

 

As crises precisam ser recorrentes e provocar modificações no comportamento que interferem negativamente no estilo de vida dos pacientes.

 

É muito importante estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, tais como os ataques cardíacos, o hipertireoidismo, a hipoglicemia e a epilepsia, por exemplo, para orientar corretamente o tratamento.

 

Tratamento

O tratamento precoce do transtorno de pânico é essencial no sentido de reduzir o sofrimento e no intuito de prevenir o surgimento de complicações e comorbidades (outas doenças associadas).

 

A prevenção de novas crises e a diminuição das complicações ligadas a elas, como a ansiedade antecipatória e a evitação fóbica, são os pontos chaves no tratamento do transtorno.

 

Deve-se dar especial atenção para as comorbidades como os transtornos de humor e o uso de substâncias. De forma geral, existem três formas de tratamento do TP: o tratamento psicofarmacológico, o psicoterapêutico e o combinado.

 

Como a Psicoterapia auxilia no tratamento

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a terapia com os resultados mais consistentes para o TP.

 

O tratamento com TCC para Transtorno do Pânico consiste em psicoeducação, no intuito de corrigir interpretações errôneas acerca do transtorno, treinamento de técnicas para diminuir a ansiedade, como:

 

  • Respiração diafragmática;
  • Relaxamento muscular;
  • Reestruturação cognitiva, para identificar e corrigir distorções no pensamento,
  • Exposição à realidade do transtorno, no intuito de que o paciente aprenda a lidar com os sintomas físicos e estimulá-lo a enfrentar as principais situações que teme por medo de passar mal e não encontrar saída ou ajuda.

 

Terapias combinadas

Pesquisas recentes mostraram que o tratamento combinado de antidepressivos e psicoterapia foi mais efetivo que as duas alternativas terapêuticas em isoladas na fase aguda do transtorno.

 

Convivendo com o Transtorno de Pânico

Algumas medidas auxiliares podem tornar o resultado do tratamento ainda melhor que o esperado. Veja alguns exemplos:

 

  • Siga à risca o tratamento e as orientações dos especialistas que o acompanham;
  • Evite o consumo exacerbado de cafeína e bebidas alcoólicas;
  • Pratique exercícios de relaxamento, como alongamentos, yoga e respiração profunda;
  • Pratique exercícios físicos regularmente, principalmente atividades aeróbicas;
  • Vá dormir cedo e descanse. Horas regulares de sono podem ajudar a controlar o medo e ansiedade.

 


Psicóloga Carla Araujo
CRP – 05/58453
www.psicologacarlaaraujo.com.br


 

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